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Documento constitutivo

Carta de Fundação

Instituto Tekoá — Ciência e Tecnologias do Trabalho Humano · Brasil, 2026

PT — Este é o texto oficial da Carta de Fundação, redigido em português, a língua de constituição legal do Instituto no Brasil.

EN — This is the official text of the Founding Charter, drafted in Portuguese — the language of the Institute's legal constitution in Brazil. An English summary of the mission and values is available on the home page.

O mundo do trabalho está passando por uma transformação cuja escala, velocidade e profundidade não encontram paralelo em nenhum momento anterior da história humana. O que está em curso não é apenas mais um ciclo de mudanças tecnológicas, mas uma reconfiguração estrutural das relações entre seres humanos e o trabalho em grande parte dos setores e das profissões, em várias regiões e em vários níveis de qualificação. Esta transformação incide não apenas sobre empregos e competências, mas sobre as próprias instituições através das quais as sociedades organizam e distribuem conhecimento especializado — e sobre a saúde, o bem-estar e o sentido que as pessoas encontram, ou deixam de encontrar, no seu trabalho. Nós fundadores do Instituto Tekoá propomos um espaço para uma discussão profunda, crítica e aberta sobre como estas transformações afetam e irão afetar estas relações. Assim, o Instituto se coloca como uma organização científica e tecnológica sem fins lucrativos dedicada ao estudo, desenvolvimento e aplicação de ciência e tecnologia voltadas à compreensão, transformação e fortalecimento destas relações no contexto do trabalho contemporâneo que é cada vez mais mediado por tecnologias de rede e informação e sistemas baseados em inteligência artificial.

Sobre o Nome

O nome deste Instituto vem do guarani — e, antes de explicá-lo, é preciso dizer de quem ele é. Tekoá é uma palavra dos povos Guarani, que a mantêm viva como nome daquilo que lhes é mais essencial: o lugar onde se realizam as condições para que o seu modo de ser exista. "Sem tekoá não há teko" (o modo de ser), dizem. É a essa palavra que pedimos licença para recorrer, conscientes de que ela não nos pertence e gratos a quem a guarda. Recorremos a ela porque nomeia, em sua própria origem, aquilo que este Instituto busca no trabalho: o lugar que cria as condições para que as pessoas possam ser plenamente humanas no que fazem.

Há, porém, uma segunda razão. Recorrer a Tekoá é também reconhecer que a maneira como o Ocidente moderno aprendeu a pensar o trabalho (herdeira de tradições judaico-cristãs, protestantes e anglo-saxãs que fizeram dele dever, disciplina e medida do valor de uma vida) é apenas uma entre muitas, e não a medida natural de todas. Outros povos compreenderam e praticaram o trabalho de outros modos: não como uma esfera apartada da vida, mas entretecido à comunidade, à natureza e ao sentido. Reconhecê-lo não é idealizar essas formas nem tomá-las como modelo, mas admitir que o horizonte de um trabalho mais justo e mais humano talvez exija olhar para além das nossas próprias certezas, e reencontrar, nessa palavra, uma raiz que é também parte da herança silenciada deste país.

O Instituto

As relações entre seres humanos e o trabalho estão sob pressão em múltiplas frentes simultaneamente. Globalmente, apenas 21% dos trabalhadores estão genuinamente engajados com o que fazem, e a depressão e a ansiedade relacionadas ao trabalho custam à economia mundial um trilhão de dólares por ano em produtividade perdida. Tecnologias emergentes reconfiguram as relações de trabalho, o que e como se faz, como se aprende e com quem se interage e, ao mesmo tempo, vagas para postos iniciais caem 29% globalmente desde 2024, comprometendo as trajetórias pelas quais o conhecimento tácito era adquirido no trabalho. No Brasil, cerca de 30,9 milhões de trabalhadores — quase um terço da força de trabalho — estão em ocupações com alta exposição à automação por inteligência artificial, com impacto desproporcional sobre as mulheres e os jovens. E a classe média que se despontou e emergiu através do setor de serviços será a grande afetada. "Será uma grande crise", alertam os economistas Esther Duflo e Abhijit Banerjee, Prêmio Nobel de Economia, ao descrever um possível cenário para os países de renda média e com vulnerabilidades estruturais. É sobre este conjunto de relações, sobre as condições que as afetam profundamente e por aquelas que são mais justas, mais saudáveis e mais plenas de sentido que o Instituto se propõe a trabalhar.

O trabalho humano existe em uma teia de relações que raramente é examinada em toda a sua complexidade. Entre o trabalhador e a tarefa que executa há uma história: de aprendizado, de formação de hábito, de desenvolvimento de competências, de motivações e de frustrações. Entre o trabalhador e a organização que o emprega há um contrato (formal e informal, explícito e tácito) sobre expectativas, obrigações, reconhecimento e poder. Entre o trabalhador e seus colegas há uma vida social que o sustenta ou que o isola. Entre o trabalhador e os clientes, usuários ou beneficiários do seu trabalho há uma relação de sentido, que pode ser fonte de propósito profundo ou de alienação perturbadora. Entre o trabalhador e a sua vida pessoal há as condições sócio-econômicas que sustentam o seu dia-a-dia, dentro e fora do trabalho. E entre o trabalhador e as novas tecnologias que cada vez mais permeiam as suas tarefas há uma relação nova, em rápida transformação, cujas implicações estamos começando a compreender. O que atravessa todas essas relações (e o que as transformações em curso estão, de formas diversas e com intensidades distintas, colocando em risco) é algo que o Instituto propõe chamar de presença ativa no trabalho: a qualidade da atenção, do julgamento e do cuidado com que uma pessoa se dirige ao que faz e a quem trabalha ao seu lado. É essa presença que o Instituto se propõe a compreender, a medir e a ajudar a reconstituir.

É sobre estas relações, em toda a sua riqueza, sua complexidade, suas tensões e sua urgência, que o Instituto pretende produzir conhecimento. Um conhecimento que não se satisfaz com a descrição do que existe, mas que busca uma compreensão profunda e multifacetada do por que das coisas serem como são, quais são as alternativas possíveis e o que seria necessário para realizá-las. Um conhecimento que não fica nas fronteiras de uma disciplina, mas que atravessa as fronteiras disciplinares das ciências: das humanidades (psicologia, antropologia, sociologia e economia) às engenharias e à ciência da computação, porque o trabalho humano, em sua complexidade real, não se restringe a nenhuma fronteira disciplinar.

A QUESTÃO CENTRAL DO INSTITUTO — Como é a relação entre os seres humanos e o seu trabalho cotidiano — e o que é necessário, do ponto de vista científico, político, organizacional e tecnológico, para que essa relação se torne mais justa, mais saudável, mais autônoma e mais plena de sentido para todos os que trabalham?

O Instituto busca trabalhar com uma dimensão descritiva (compreender o que existe) e com uma dimensão normativa (propor o que deveria existir). A compreensão rigorosa do presente é condição necessária para a proposta responsável do futuro. E a proposta do futuro é a razão pela qual a compreensão profunda do presente nos importa. Neste sentido, o Instituto é uma instituição de prática, de práxis, no sentido mais preciso: une sistematicamente a reflexão à ação, o conhecimento à recomendação, a análise à intervenção. Produzimos ciência para transformar condições; investigamos para propor; compreendemos para agir. Esta unidade entre saber e fazer é o que nos distingue e o que nos define.

Neste contexto, a tecnologia é ao mesmo tempo objeto de investigação e instrumento de trabalho. Como objeto, ela nos convida a indagar como algoritmos de gestão redefinem autonomia, como plataformas digitais transformam vínculos de trabalho, como a inteligência artificial reconfigura o que significa saber fazer algo. Como instrumento, ela nos oferece novos meios de investigar essas mesmas questões: da análise computacional de grandes volumes de dados organizacionais às avaliações psicossociais digitais que capturam o que questionários convencionais não alcançam, combinando a precisão do dado quantitativo com a profundidade da compreensão qualitativa. É precisamente essa dupla vocação (científica na produção de conhecimento rigoroso, tecnológica no desenvolvimento de métodos e instrumentos para compreender e transformar as relações humanas no trabalho) que define o caráter singular do Instituto.

Que o Instituto seja o lugar onde se pergunta, com rigor e cuidado, o que significa estar genuinamente presente no trabalho e o que é necessário para que mais pessoas, em mais contextos, possam trabalhar com essa presença. Uma pergunta que nunca é simples demais para merecer investigação, nem complexa demais para produzir respostas.

Um Momento de Grandes Transformações

Entre as forças que mais intensamente aceleram, aprofundam e transformam as relações humanas no trabalho estão as tecnologias emergentes — tecnologias da informação, redes de computadores, plataformas digitais e inteligência artificial. Mais do que ferramentas, essas tecnologias atuam como intermediárias: interpõem-se entre trabalhadores e tarefas, entre trabalhadores e empregadores, entre trabalhadores e clientes, entre trabalhadores e os meios e processos de produção. Ao mediar estas relações, transformam a própria natureza delas: o quanto é autonomia e o quanto é controle, o quanto é colaboração e o quanto é vigilância, o quanto é apoio à decisão e o quanto é substituição do julgamento humano.

A magnitude da transformação macroeconômica é cada vez mais discutida e documentada. O Relatório sobre o Futuro dos Empregos do Fórum Econômico Mundial de 2025 projeta que 92 milhões de postos de trabalho serão deslocados até 2030 enquanto 170 milhões de novos cargos são criados — saldo líquido positivo de 78 milhões, mas com uma ressalva decisiva: os empregos eliminados e os criados não requerem as mesmas competências, não estão nas mesmas geografias e não oferecem as mesmas trajetórias de vida. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional descreveu o fenômeno, em Davos 2026, como um "tsunami atingindo o mercado de trabalho", estimando que 60% dos empregos em economias avançadas serão afetados.

Um dos efeitos mais preocupantes e menos visíveis das transformações em curso incide precisamente sobre quem está começando a vida profissional. Desde 2024, as vagas para postos iniciais caíram 29% globalmente. A crise das carreiras de entrada vai além da escassez de vagas: ela toca o colapso da trajetória pela qual as gerações sempre aprenderam a trabalhar — a participação legítima e periférica em comunidades de prática, na formulação de Lave e Wenger. As tarefas "simples" que a IA agora executa com eficiência eram as tarefas que ensinavam, que situavam o jovem profissional no interior de uma prática. Ao automatizá-las, retira-se das novas gerações não apenas um posto de trabalho, mas o próprio mecanismo pelo qual se transmite o ser e o saber de uma profissão.

No Brasil, essas dinâmicas globais adquirem contornos específicos. O país encerrou 2025 em um dos melhores momentos históricos de seu mercado de trabalho, mas essa robustez convive com vulnerabilidades estruturais: cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros (aproximadamente 30,9 milhões de pessoas) estavam em 2025 em ocupações com alta exposição à IA generativa, com impacto desproporcional sobre mulheres, jovens e trabalhadores de comércio, serviços de informação e intermediação financeira. Como observou a economista Esther Duflo, Prêmio Nobel, em entrevista de março de 2026: no Brasil, o trabalho baseado em serviços serve como um grande trampolim social, e é exatamente esse trampolim que a IA mais ameaça.

Estes efeitos convergem com uma crise mais ampla de saúde mental e engajamento no trabalho. Depressão e ansiedade custam à economia global um trilhão de dólares por ano em produtividade perdida. Apenas 21% dos trabalhadores globais estão genuinamente engajados com seu trabalho. A pesquisa organizacional contemporânea acrescenta uma dimensão que os indicadores convencionais dificilmente capturam: a solidão no trabalho, e a erosão silenciosa do que a socióloga Allison Pugh chamou de "trabalho conectivo". É precisamente essa presença que o Instituto existe para compreender e para ajudar a reconstituir.

Nossa Convicção

Vivemos um momento em que soluções práticas e cientificamente fundamentadas são especialmente urgentes. As transformações em curso no mundo do trabalho não são neutras: há protagonistas e afetados, beneficiados e prejudicados, vozes amplificadas e vozes silenciadas. Compreendê-las com honestidade intelectual e compromisso ético é a primeira tarefa do Instituto. Propor respostas baseadas em ciência e em evidências — para governos, para empresas, para organismos internacionais, para trabalhadores e suas organizações — é sua razão de existir.

O Instituto nasce também de uma convicção sobre o papel da ciência na sociedade. Acreditamos que o conhecimento científico sobre o trabalho humano tem o dever de chegar além do debate acadêmico. Construir essa instituição — com independência intelectual, rigor científico, abertura interdisciplinar, comprometimento ético e vocação para a influência responsável — é o propósito desta Carta de Fundação e o projeto de vida que assumimos ao assinar este documento.

Capítulo I — Identidade Institucional

Seção 1 — Denominação, Natureza e Sede

Art. 1º — Denominação. O Instituto Tekoá — Ciência e Tecnologias do Trabalho Humano é uma associação privada sem fins lucrativos, constituída nos termos do Código Civil Brasileiro (Lei n.º 10.406/2002) e do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei n.º 10.973/2004, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 13.243/2016).

§ 1º O Instituto está enquadrado como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) de direito privado, nos termos do art. 2º, inciso V, da Lei n.º 10.973/2004, tendo como atividade precípua a pesquisa básica e aplicada de caráter científico e tecnológico e o desenvolvimento de métodos, instrumentos e soluções voltados à compreensão e transformação das condições que determinam uma presença ativa das pessoas no trabalho.

§ 2º A denominação Tekoá provém do idioma guarani, ao qual o Instituto recorre com reconhecimento e respeito, consciente de que a palavra pertence aos povos Guarani, que a mantêm viva. Em guarani, Tekoá designa o lugar onde se realizam as condições para a possibilidade de um modo de ser. O Instituto presta homenagem a esses povos e à sua contribuição, registrando que o princípio que organiza a sua missão (o de que a presença ativa no trabalho emerge das condições, e não apenas das disposições individuais) encontra raiz e ressonância no seu pensamento, e lembra que as formas dominantes de conceber o trabalho são construções históricas, não medidas universais.

§ 3º A denominação completa do Instituto deverá constar em atos formais, documentos jurídicos e publicações científicas oficiais, enquanto a forma abreviada, Instituto Tekoá, poderá ser utilizada em comunicações institucionais e uso cotidiano.

Art. 2º — Natureza e fins. O Instituto Tekoá é uma associação privada sem fins lucrativos. Nenhuma parcela de seu patrimônio ou dos recursos financeiros por ele captados ou gerados poderá ser distribuída, a qualquer título, entre os associados, membros da diretoria ou de quaisquer outros órgãos da instituição, nem utilizada para benefício privado de qualquer pessoa física ou jurídica.

Parágrafo único. O eventual superávit apurado em cada exercício financeiro será integralmente reinvestido nas atividades-fim do Instituto, em consonância com os objetivos definidos nesta Carta de Fundação e no Plano Estratégico vigente.

Art. 3º — Sede, foro e duração. O Instituto Tekoá tem sede e foro no Brasil, com endereço a ser definido pelos fundadores quando do ato de registro, podendo manter escritórios, laboratórios e unidades operacionais em quaisquer localidades do território nacional ou do exterior, mediante deliberação do Conselho de Administração. O Instituto é constituído por prazo indeterminado.

§ 1º O foro do município da sede é o competente para dirimir quaisquer questões relativas à aplicação desta Carta de Fundação e aos atos praticados pelo Instituto, salvo disposição legal em contrário.

§ 2º A dissolução do Instituto somente poderá ocorrer por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária, convocada especificamente para tal fim, com quórum qualificado de dois terços dos associados plenos. Em caso de dissolução, o patrimônio remanescente, após a quitação de todas as obrigações, será transferido a outra instituição de fins não lucrativos e de natureza científica, tecnológica ou de inovação, a ser indicada pela mesma Assembleia.

Seção 2 — Missão

Art. 4º — Missão. As relações entre pessoas e o trabalho estão sendo transformadas numa velocidade e com uma profundidade sem precedentes. É nesse contexto que se define a missão do Instituto Tekoá.

MISSÃO — Produzir e aplicar conhecimento científico e tecnológico rigoroso sobre as condições que determinam a presença ativa das pessoas no trabalho, nas suas dimensões psicológicas, sociais, econômicas, organizacionais e tecnológicas, para compreender como essas condições estão sendo transformadas pelas tecnologias emergentes e pela aceleração do ritmo de mudança, e para desenvolver métodos, instrumentos e recomendações que coloquem as pessoas no centro do design das suas práticas e das tecnologias que as suportam, orientando governos, organizações e formuladores de políticas na construção de condições de trabalho que favoreçam uma presença mais plena, mais autônoma e mais plena de sentido.

§ 1º A missão do Instituto parte de uma convicção fundamental: as pessoas são agentes ativos, não objetos de estudo ou destinatários passivos de tecnologias e práticas projetadas por outros, participando do design, da avaliação e da transformação das condições em que trabalham e das ferramentas que utilizam, incluindo sistemas baseados em inteligência artificial.

§ 2º A missão se realiza por uma dupla vocação, científica e tecnológica, que são inseparáveis. Nenhuma das duas vocações é subordinada à outra, juntas constituem o que o Instituto entende por práxis.

§ 3º A missão do Instituto não se encerra na produção e na disseminação de conhecimento acadêmico. Ela se estende à influência ativa sobre políticas públicas, práticas organizacionais, regulação de tecnologias e design de sistemas que afetam as condições de trabalho.

Seção 3 — Visão

Art. 5º — Visão. A visão do Instituto Tekoá projeta não um estado de reconhecimento a ser alcançado, mas um conjunto de transformações concretas a ser produzido.

VISÃO — O Instituto aspira a tornar-se uma instituição de referência global na interseção entre ciência do trabalho, desenvolvimento tecnológico e transformação social: capaz de produzir conhecimento que informe políticas, desenvolver instrumentos que transformem práticas e influenciar o design de tecnologias que afetam a presença ativa de milhões de pessoas no seu trabalho. Com operações ancoradas no Brasil mas com alcance global, o Instituto se compromete a colocar as pessoas no centro das transformações sócio-tecnológicas do trabalho e, ao fazê-lo, contribuir para organizações mais eficazes e para uma sociedade mais justa.

§ 1º A visão do Instituto é de alcance global na sua perspectiva e nas suas ambições, mas ancorada localmente nas suas operações, parcerias e impacto imediato. O Brasil e a América Latina representam um laboratório singular para a compreensão das condições que determinam a presença ativa das pessoas no trabalho em economias de renda média com elevada desigualdade estrutural.

§ 2º A realização desta visão será avaliada pela evidência do seu impacto, social e organizacional. É desse impacto que o Instituto espera que derive o seu reconhecimento.

Seção 4 — Valores Fundacionais

Art. 6º — Valores Fundacionais. Os valores do Instituto Tekoá são compromissos operacionais: princípios que orientam cada decisão de pesquisa, cada parceria firmada e cada tecnologia desenvolvida.

§ 1º Centralidade das pessoas como agentes. O Instituto Tekoá existe, antes de tudo, em função das pessoas que trabalham: são agentes que conhecem, a partir de dentro, as condições que afetam a sua presença no trabalho, um conhecimento situado que é insubstituível para qualquer investigação que o Instituto conduza.

§ 2º Abordagem centrada na pessoa. As tecnologias, os sistemas e as práticas de trabalho devem ser concebidos, avaliados e transformados a partir das necessidades, capacidades e perspectivas de quem trabalha.

§ 3º Rigor científico como compromisso ético. Recomendações baseadas em evidências frágeis ou em análises convenientes causam dano real.

§ 4º Abertura epistemológica e pluralismo metodológico. O diálogo entre tradições diversas é condição de uma ciência do trabalho verdadeiramente abrangente.

§ 5º Orientação à práxis. O Instituto Tekoá produz conhecimento com um propósito claro: transformar as condições que determinam a presença ativa das pessoas no trabalho.

§ 6º Independência intelectual e integridade institucional. Nenhum financiador, parceiro ou entidade com interesses nos temas investigados pode determinar, alterar ou suprimir resultados de pesquisa.

§ 7º Perspectiva sócio-tecnológica. As tecnologias que transformam o trabalho são artefatos produzidos em contextos sociais, econômicos e políticos específicos.

§ 8º Bem-estar, saúde e dimensão relacional do trabalho. O burnout, o desengajamento, a solidão e a erosão do tecido social das organizações são dimensões centrais da presença ativa no trabalho.

§ 9º Comprometimento com a equidade e com o benefício universal. O horizonte do Instituto é uma presença ativa digna para todos, sem exceção e sem hierarquia de quem merece condições de trabalho mais justas.

§ 10º Diálogo, colaboração e influência responsável. Influência responsável é aquela que fortalece a capacidade de todos os atores (e especialmente dos menos poderosos) de compreender as condições que afetam a sua presença no trabalho e de agir para transformá-las.

Seção 5 — Conceito Fundacional: Presença Ativa no Trabalho

Art. 7º — Presença ativa no trabalho. O Instituto Tekoá organiza toda a sua atividade científica e tecnológica em torno de um conceito central: a presença ativa no trabalho. Não por acaso, é esse conceito que dá nome ao Instituto: na língua guarani, Tekoá nomeia o lugar onde se realizam as condições para que um modo de ser exista, e a presença ativa é, de modo análogo, o que emerge quando as condições do trabalho permitem que as pessoas estejam genuinamente ali.

§ 1º Para o Instituto, presença ativa no trabalho é a qualidade da relação viva entre uma pessoa e o seu trabalho num dado momento e contexto, caracterizada pela prontidão com que se dirige ao que faz, pela atenção com que o executa, pelo julgamento com que o adapta às condições reais e pelo cuidado com que se relaciona com quem trabalha ao seu lado.

§ 2º A presença ativa não é um estado binário. É um contínuo dinâmico, que varia entre pessoas, entre contextos e ao longo do tempo, afetado por múltiplos fatores simultâneos.

§ 3º Este conceito tem raízes em tradições intelectuais diversas: na psicologia da atenção de William James; no conceito de flow de Mihaly Csikszentmihalyi; na psicodinâmica do trabalho de Christophe Dejours; e na filosofia da atenção de Simone Weil.

§ 4º A presença ativa é, nesta perspectiva, simultaneamente um objeto de investigação científica e um horizonte normativo.

§ 5º A distinção entre presença ativa e engajamento no sentido convencional é epistemológica e política: a presença ativa é uma propriedade emergente das condições de trabalho.

Instituto Tekoá — Ciência e Tecnologias do Trabalho Humano